A perda auditiva também pode ser sentida pela família
A perda auditiva não afeta apenas quem tem dificuldade para ouvir. A família também percebe as mudanças e pode ter um papel importante em cada etapa: desde reconhecer os primeiros sinais e incentivar uma avaliação até apoiar a pessoa durante a adaptação aos aparelhos auditivos.
PERDA AUDITIVAAPARELHO AUDITIVO
Dra Andresa Marques Fiamoncini | CRFa 4646-6
9/18/20263 min read
A perda auditiva de uma pessoa também pode ser sentida por toda a família
Quando alguém que amamos começa a ter dificuldade para ouvir, as mudanças nem sempre aparecem de forma clara.
No começo, podem parecer pequenas coisas: a televisão mais alta, a necessidade de repetir uma frase, respostas que não fazem sentido para o que foi perguntado ou aquela impressão de que a pessoa “não está prestando atenção”.
Com o tempo, porém, essas situações podem começar a interferir na convivência e até fazer com que a pessoa se afaste de momentos que antes faziam parte da sua rotina.
Por isso, a família tem um papel muito importante no cuidado com a audição.
Tudo começa nos primeiros sinais
Muitas vezes, a própria pessoa não percebe que está ouvindo menos. Isso pode acontecer de forma gradual, e ela acaba se acostumando a determinadas dificuldades.
É comum que alguém da família perceba primeiro:
A televisão ou o celular em volume muito alto;
Pedidos frequentes para repetir o que foi dito;
Dificuldade para acompanhar conversas em grupo;
Maior dificuldade para entender quando há barulho;
Respostas inadequadas ou fora do contexto da conversa;
Evitar restaurantes, encontros ou reuniões familiares;
Reclamar que as pessoas “falam baixo” ou “falam rápido demais”.
Esses sinais não devem ser encarados simplesmente como falta de atenção ou desinteresse.
Eles podem indicar que é hora de investigar a audição.
Incentivar uma avaliação também é uma forma de cuidado
Falar sobre perda auditiva com alguém que amamos nem sempre é fácil.
Algumas pessoas podem ter resistência, vergonha ou até receio de admitir que estão tendo dificuldade para ouvir. Nesses momentos, a maneira como a família aborda o assunto pode fazer toda a diferença.
Em vez de pressionar, é possível conversar com carinho, explicar o que você tem percebido e mostrar que buscar ajuda não significa aceitar uma limitação; significa cuidar da própria qualidade de vida.
Uma avaliação auditiva permite entender como está a audição e quais caminhos podem ser indicados para aquele caso.
E a família pode estar presente nesse primeiro passo: ajudando a marcar a avaliação, acompanhando a consulta e, principalmente, demonstrando que essa é uma jornada que pode ser percorrida junto.
Depois dos aparelhos auditivos, a família continua fazendo parte
Quando existe indicação de aparelhos auditivos, começa uma nova etapa: a adaptação.
Ouvir novamente determinados sons pode exigir um período de familiarização. A pessoa pode precisar de tempo para se acostumar com a nova experiência sonora e aprender a utilizar os aparelhos no dia a dia.
Nesse momento, a participação da família continua sendo muito importante.
Como ajudar?
Tenha paciência.
Evite cobrar que a pessoa se adapte imediatamente. Cada experiência é individual.
Incentive o uso.
Ajude a transformar os aparelhos em parte natural da rotina, respeitando as orientações da fonoaudióloga.
Converse olhando para a pessoa.
Mesmo com os aparelhos, boas condições de comunicação continuam sendo importantes, principalmente em ambientes com muito ruído.
Não deixe a pessoa se isolar.
Continue convidando para almoços, encontros, passeios e conversas. O objetivo não é apenas ouvir melhor, mas continuar participando da vida.
Valorize cada avanço.
Voltar a ouvir uma voz querida, acompanhar uma conversa ou participar de uma reunião em família pode representar muito para quem passou um período com dificuldades auditivas.
O cuidado vai muito além de ouvir
Quando uma pessoa deixa de acompanhar as conversas, pode começar a participar menos. Quando passa a evitar determinados ambientes, pode perder experiências importantes. E quando conversar se torna cansativo, até mesmo os momentos simples em família podem mudar.
Por isso, cuidar da audição não significa apenas melhorar a capacidade de ouvir.
Significa ajudar alguém a continuar presente nos momentos que fazem parte da sua história.
A voz dos filhos.
As histórias dos netos.
As conversas durante o almoço.
As risadas em família.
Os sons de um lugar querido.
Tudo isso também faz parte de uma boa escuta.
A família pode ser o primeiro passo
Se você percebe que alguém da sua família está apresentando sinais de dificuldade para ouvir, não espere que o problema interfira ainda mais na rotina para buscar orientação.
Uma conversa acolhedora pode ser o começo.
Uma avaliação auditiva pode ser o próximo passo.
E estar presente durante todo o processo pode fazer com que essa pessoa se sinta mais segura para cuidar da própria audição.
Na Boa Escuta, acreditamos que cada pessoa merece ser ouvida, acolhida e cuidada.
Porque cuidar da audição é também cuidar das relações, dos momentos e das histórias que compartilhamos.
Sinta a diferença em cada momento... porque quanto mais som, mais vida. 🧡💚


