A perda auditiva pode aumentar o risco de demência?
Entenda como a perda auditiva pode impactar memória, atenção e saúde cognitiva, e por que a OMS alerta para a importância do cuidado com a audição.
DEMÊNCIAPERDA AUDITIVA
Dra Andresa Marques Fiamoncini - Crfa 4646-6
5/28/20262 min read
A relação entre perda auditiva e a demência: o que a ciência já sabe
Durante muito tempo, a perda auditiva foi vista apenas como uma dificuldade relacionada à audição. Hoje, porém, diversos estudos mostram que seus impactos podem ir além da comunicação, afetando também funções cognitivas como memória, atenção e compreensão.
Nos últimos anos, organizações internacionais como a OMS (Organização Mundial da Saúde) passaram a destacar a perda auditiva não tratada como um dos fatores de risco modificáveis associados à demência.
Mas afinal, qual é a relação entre audição e saúde cognitiva?
O cérebro também participa da audição
Ouvir não depende apenas dos ouvidos. O cérebro tem um papel fundamental na interpretação dos sons, falas e estímulos sonoros do ambiente.
Quando existe uma perda auditiva, o cérebro passa a receber menos informações sonoras. Além disso, ele precisa fazer mais esforço para compreender conversas, principalmente em ambientes com ruído, televisão ligada ou muitas pessoas falando ao mesmo tempo.
Esse aumento do esforço cognitivo pode sobrecarregar áreas relacionadas à atenção e à memória.
Menos estímulos auditivos podem impactar funções cognitivas
A estimulação sonora é importante para manter o cérebro ativo. Quando a audição está reduzida por longos períodos, algumas áreas cerebrais relacionadas ao processamento auditivo passam a ser menos estimuladas.
Pesquisas indicam que essa redução de estímulos pode estar associada ao declínio cognitivo ao longo do tempo.
É importante destacar que a perda auditiva não causa Alzheimer diretamente. Porém, ela pode aumentar fatores associados ao desenvolvimento de demência, especialmente quando não há acompanhamento adequado.
O impacto do isolamento social
Outro fator importante é o isolamento social.
Muitas pessoas com dificuldade para ouvir começam, mesmo sem perceber, a evitar conversas, encontros familiares e ambientes sociais por dificuldade de compreensão ou cansaço mental.
O isolamento social já é reconhecido como um fator associado ao maior risco de declínio cognitivo e demência em idosos.
O tratamento pode ajudar?
Identificar a perda auditiva precocemente e iniciar o acompanhamento adequado ajuda a reduzir o esforço auditivo e melhorar a qualidade de vida do paciente.
O uso de aparelhos auditivos, quando indicado, auxilia o cérebro a voltar a receber estímulos sonoros importantes para o dia a dia, favorecendo comunicação, interação social e bem-estar.
Por isso, cuidar da audição vai muito além de ouvir melhor. É também uma forma de preservar autonomia, conexão social e saúde cognitiva ao longo dos anos.
Quando procurar ajuda?
Alguns sinais podem indicar perda auditiva:
Aumentar muito o volume da televisão
Pedir para repetirem com frequência
Dificuldade para entender conversas em ambientes com ruído
Sensação de que as pessoas “falam baixo”
Cansaço mental após conversas longas
Ao perceber esses sinais, procure uma avaliação auditiva com um profissional especializado.
Cuidar da audição é cuidar da saúde como um todo.


